título

Nelson Jaro: “Doía-me ver todos os povos no quadro de excelência e Moçambique não”

Longe de casa, mas perto do sucesso, Nelson encontrou a sua vocação a mais de 15 mil quilómetros de casa e, literalmente, no meio do gelo. Nelson Jaro foi o primeiro moçambicano a conseguir um diploma de excelência na Faculdade de Engenharia da Universidade Estatal e Tecnológica de Kuban, na Rússia.

Vindo da Beira, e sendo também o primeiro membro da sua família a frequentar o ensino superior, Nelson começou por cursar Biologia e Saúde na Universidade Eduardo Mondlane, mas a experiência não correspondeu às suas expectativas.

 

Inconformado e ambicioso, agarrou a oportunidade de frequentar uma universidade russa, através do programa de bolsas do Instituto de Bolsas de Estudos, do Ministério da Educação, e partiu em 2012 para um dos países mais frios do planeta.

 

“Abracei a oportunidade de cursar Engenharia de Petróleo e Gás, pois sempre sonhei em ser engenheiro, mas por influências externas acabei escolhendo Bio-saúde na UEM”, explica Nelson. Mas, para cumprir esse sonho teve de enfrentar vários desafios.

 

“A primeira e maior dificuldade foi, sem dúvidas, o idioma. Poucos imaginam, mas aqui (na Rússia) o ensino em todas as universidades é em russo, independentemente de ser para estrangeiros ou não. A segunda dificuldade foi a adaptação ao clima. A Rússia é um dos países que atinge temperaturas mais baixas no inverno e, vindo eu de um país tropical, adaptar-me ao inverno russo foi uma grande dificuldade. A terceira e última grande dificuldade foi adequar-me e conviver com pessoas de nacionalidades e culturas diferentes. Convivi com russos, fiz amizade com árabes, andei com chineses, fui amigo de angolanos e nigerianos, vivi com estudantes de Bangladesh, Turquemenistão, Afeganistão e por aí vai”, conta o jovem recém-formado.

 

Ainda assim, os desafios tornaram-se pequenos perante a sua força de vontade e, não só atingiu o objectivo, como o atingiu com nota de excelência. A 11 de Julho recebeu o diploma de excelência, entrando para a história como o primeiro moçambicano a graduar-se como engenheiro de petróleo e gás, concretamente na área de exploração e manutenção de instalações de produção de petróleo, com tal distinção.

 

“Como moçambicano, queria mudar a nossa história na Rússia, pois doía-me ver todos os povos com, pelo menos, um representante no quadro de melhores estudantes e Moçambique não”, explicou em entrevista a um meio de comunicação lusófono com base na Rússia.

 

O regresso à terra natal está previsto para breve e é no seu país que pretende colher os frutos da sua formação. “Dependendo do curso em que se for formado, acredito que ter um diploma estrangeiro abre mais portas no mercado de trabalho em Moçambique”, afirma.

 

Moçambique é, sem dúvida, o país onde quer fazer futuro, sentindo-se grato pela oportunidade, que fez questão de aproveitar ao máximo. “Fui enviado pelo Governo moçambicano para a Rússia com o objectivo de me formar e, após a formação, retornar à minha pátria amada e aplicar os conhecimentos adquiridos para ajudar no desenvolvimento do país. Formei-me em Engenharia de Petróleo e Gás e as descobertas nessa área são bastante promissoras em Moçambique, por isso, não haveria lugar onde pudesse ter mais oportunidades que no meu país”, afirma confiante.

 

SAPO | Vanessa Colaço

27.07.2017

Partilhe: Facebook Twitter
>